Moçambique é atravessado por uma zona de separação de placas tectônicas, que vem desde o Mar Vermelho até o Oceano índico.
A zona Este do continente Africano é palco de intensas actividades geológicas e únicas em todo o continente Africano, desencadeados por um Sistema de Rifts denominado: Sistema de Rift Leste Africano. Na verdade, são fracturas profundas na superfície da Terra provocadas pelo movimento lento, mas violento das placas tectônicas.
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Rift leste Africano. (Fonte: National Geographic Society).
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A tendência é que tal movimento se desenvolva gradualmente até formar grandes aberturas na superfície da Terra por onde irá passar um novo Oceano. Mais tarde este Oceano se desenvolve, atinge a maturidade, o estágio senil e posteriormente o estágio terminal.
No estágio terminal (que pode ser observado na região do Mediterrâneo) inicia um novo processo de fechamento, onde o Oceano fecha-se mediante a aproximação dos continentes. Este fenômeno é explicado por Jhon Tuzo Wilson em seu modelo sobre a abertura e fechamento dos Oceanos denominado Ciclo de Wilson.
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| Mapa das Placas tectônicas. Zona de separação (vermelho); zona de subducção (rocho); zona de fricção (verde). |
O Rift Leste Africano é um dos mais extenso da superfície da Terra, partindo desde a Jordânia, no Sudoeste da Ásia, a Moçambique, no Sudeste da África, com uma extensão de cerca de 6400 km e uma largura média que varia entre 48 e 64 km.
O Rift é constituído por dois braços, sendo o braço principal (o braço de Este) estendendo-se desde o Rio Jordão e Mar Morto até Quênia, o mesmo continua na parte Sul, através de Moçambique onde passa nos arredores da Cidade da Beira até o Oceano índico, com uma extensão de 4000 km.
O segundo braço, o braço Oeste, passa através de Uganda e Ruanda, enquanto a parte Sudoeste é constituída pelos rifts de Luangwa e Kariba na Zâmbia até Botsuana. O Braço Este é o mais antigo que o Braço Oeste e as actividades vulcânicas e tectônicas nesse braço iniciaram a 35 milhões de anos.
Portanto, em um futuro distante Moçambique poderá ser dividido, passando um novo Oceano desde o lago Niassa e Chirua até a região da Cidade da Beira, estando toda a porção Norte do país, incluindo a Cidade da Beira separada de África. Há que referenciar que este processo pode ser interrompido em qualquer uma das fases antes mesmo de completar o Ciclo por vários motivos.
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| Rift Leste Africano. |
O ciclo de Wilson
O Ciclo de Wilson é uma teoria de abertura e fechamento dos oceanos, que também explica a formação do Rift Leste Africano. É composto por 6 fases, sendo todas elas representadas por eventos específicos que podem ser observados e analisados actualmente.
a) Primeiro estágio
O primeiro estágio do Ciclo de Wilson denomina-se estágio embrionário, esta fase do processo observa-se no rift leste Africano e é caracterizado pelo adelgaçamento e soerguimento da litosfera.
O motor que acciona o movimento das placas tectônicas ainda não é muito bem caracterizado, mas a hipótese mais aceite é a existência de correntes de convecção no manto, desencadeadas pela energia residual da formação da terra e as reações nucleares provocadas pelos elementos radioactivos do núcleo Terrestre.
A expressão mais superficial das correntes de convecção seria então os movimentos das placas tectônicas.
b) Segundo estágio
O segundo estágio denomina-se estágio juvenil, actualmente esta fase pode ser vista no Mar Vermelho. Nele ocorre a fragmentação da massa continental mediante coalescência geradas pelos pontos quentes (hot spots), separação das porções continentais e o início da expansão do Oceano.
c) Terceiro estágio
O terceiro estágio é o estágio de maturidade, com a representação no Oceano Atlântico. Ocorre neste estágio a expansão do Oceano através da formação contínua de nova crusta, também ocorre a acumulação de sedimentos nos fundos oceânicos e principalmente nas margens passivas.
d) Quarto estágio
O quarto estágio é o estágio Senil, actualmente observado no Oceano Pacífico. Caracteriza-se pela formação de fossas e o início do processo de subducção do tipo B (zonas onde uma placa colide com a outra e a mais densa mergulha por baixo da menos densa, ocorrendo continuamente a destruição da placa subdutora), formam-se arcos insulares ou magmáticos e as bacias associadas.
e) Quinto estágio
O quinto estágio é o estágio terminal, representado actualmente pela região do Mediterrâneo. Nessa fase ocorre o fechamento do Oceano mediante a aproximação das porções continentais, a colisão deles leva à formação de faixa orogênica e da sutura.
f) Sexto estágio
O sexto estágio é o estágio de geossutura, típico da região dos Himalaias onde o Oceano fecha-se por completo, ocorrendo a formação de subducção do tipo A, forma-se nesse estágio altas cadeias montanhosas e platôs.
Portanto, o Ciclo de Wilson é um processo dinâmico e contínuo onde novos Oceanos são continuamente formados e os antigos fechados.
Actualmente o desenvolvimento do rift africano encontra-se em um estágio bem mais desenvolvido na região do mar vermelho e no estágio embrionário, no território Moçambicano, onde observa-se o adelgaçamento e soerguimento da litosfera por efeito de anomalias térmicas em profundidades.
Para saber mais:
WILSON, J.T. Did the Atlantic close and then re-open? In: Nature, 211, pp. 676-681, 1966.
DIAS, R. et al. Os ciclos de Wilson numa perspectiva da CPLP: um contributo para o ensino da Geologia nos países lusófonos. In: Comunicações Geológicas, 101, Especial III, pp. 1251-1253, 2014.
CHEVALIER, Henri. Metade de Moçambique pode sair de África. In: https://www.conexaolusofona.org/metade-de-mocambique-pode-sair-da-africa/